Salve amigo!

A maioria das pessoas se não conhece a fundo, pelo menos sabe da existência dos consórcios.

Em poucas palavras, esta é uma ferramenta poderosa e barata para financiar bens de alto valor, como carros e imóveis. Digo barata, porque sua composição de juros é simples: pega-se o valor do bem, soma-se o percentual referente as taxas (administração + fundo de reserva, entre outras) que varia de 13 a 21% e divide-se pelo número de meses contratados.

 

Comparativo

Fazendo um comparativo na aquisição de um carro de R$ 30mil em 60 parcelas, com R$ 10mil de entrada, valor a ser financiado será de R$ 20mil:

 

VIA FINANCIAMENTO

R$ 20mil – valor financiado

1,5% – taxa efetiva total

60 meses – prazo

Valor da parcela: R$ 507,87

Valor pago ao final de 60 meses = 30.472,11

Total pago em juros = 10.472,11

Valor final do carro = 40.472,11

 

VIA CONSÓRCIO

R$ 30mil – valor do bem/ carta de crédito

15% – taxas consorciais

60 meses – prazo

R$ 10mil – lance/ entrada

Valor da parcela – 408,33

Devolução fundo de reserva 3% = 900,00 (fundo de reserva é devolvido aos quotistas no fim dos 60 meses)

Valor pago ao final de 60 meses = 23.599,80

Total pago em juros = 3.599,80

Valor final do carro = 33.599,80

Taxa de juros comerciais efetiva: 0,62% a.a

 

Como fica claro, o consórcio é uma alternativa muito mais barata; R$ 6872,31 mais barata para ser exato no nosso exemplo. Ou, 0,88% mais barata ao mês.

Então onde precisamos ter cuidado.

Como tudo na vida, sempre há o “lado escuro da força” e com o consórcio não é diferente. Veja abaixo 3 dicas para não ter certas surpresas ao se fazer um consórcio:

 

1 – Consórcio não é poupança

Jamais compre um consórcio com objetivo de poupar. Ou esperar ser contemplado. Você estará simplesmente jogando dinheiro no lixo. O consórcio deve ser usado somente como uma forma de financiamento. Já que na poupança você recebe juros mensais (você ganha) e no consórcio você paga juros (você perde).

 

2 – Consórcio e pressa não combinam

Agora que já sabe que não vai esperar o bem ser contemplado por sorteio, você terá que dar um “lance” para que isso aconteça. É para isso que serve aqueles R$ 10mil que usei no exemplo acima. E ainda assim, pode ser que alguém dê um lance maior que o seu, e desse modo, demore mais a conseguir comprar seu bem. Além disso, como pode notar, no consórcio é mandatório ter uma reserva para dar o lance. Já no financiamento, é possível pegar o bem sem dar qualquer entrada, financiando ele todo. Claro, a pressa vai custar mais caro… a pressa sempre custa mais caro!

 

3 – Valor do bem pode variar: o lado mais perverso do consórcio

Toda carta de crédito de consórcio tem seu valor referencial em um bem real. No caso de um carro, vamos usar como exemplo um CHEVROLET ONIX LT 1.0 que em nossa exemplo vale R$ 30mil. Como, até o fim dos 60 meses, o consórcio tem que garantir a todos os participantes a compra desse carro (ou um similar, caso ele saia de linha), a cada variação no preço de tabela, a sua parcela também vai variar. Se o preço cair (coisa rara), você vai pagar menos. E se o preço subir, vai pagar mais. E é aqui o lado mais perverso de tudo isso. Supondo que o carro suba de R$ 30mil para R$ 35mil (o que não é difícil em nosso país), você já terá praticamente empatado com o custo do financiamento, que tem como atrativo, justamente, não ter variação na parcela.

Fato é, consórcios já foram mais baratos. Havia um tempo que, mesmo que tivesse dinheiro para pagar o bem total a vista, valia a pena fazer um consórcio, dar o lance, e deixar o resto guardado na poupança. Hoje, na maioria dos casos, os tempos são outros. Veja em nosso exemplo que o consórcio custa mais em juros mensais do que rende a poupança, o que significa, que vale mais a pena pagar a vista. Claro, ainda pode haver casos em que o contrário ainda é verdadeiro, mas são cada vez mais raros. Agora, se você investir em algo que renda próximo de 1% ao mês, aí vale a pena segurar o dinheiro e fazer um consórcio. A não ser que… o valor do bem suba, o que via de regra acontece. Verdade é, os consórcios hoje estão mais caros: subiu a demanda, subiram os preços.

Sabendo de tudo isso, você está mais do que preparado para tomar sua própria decisão.

Como já falei em outras oportunidades: o melhor mesmo é comprar à vista, ou, ter a noção exata da decisão que está tomando. Como no consórcio há variação, isso já não seria totalmente verdade.

Não se esqueça: Você precisa desse bem? Você pode comprar a vista? Você deve fazê-lo? (Falamos dessas 3 perguntas aqui no CCF 04!).

Um grande abraço, boas economias e até a próxima!

Renato.