Salve Amigos!

Por esses dias li uma entrevista com o economista Ricardo Amorim, que diz que não há bolha imobiliária no Brasil (nada que eu não tenha falado no CCF 7 – clique aqui para assistir). Mas ele vai além, ele diz também que os imóveis aqui estão “baratos” e que depois da Copa os preços vão subir. E não para por aí; que a demanda está reprimida em função da espera das pessoas por uma queda do preço após a Copa, e quando essa boiada estourar, os preços vão subir ainda mais.

Resolvi escrever este post extra por alguns motivos: primeiro, vejam que não falei em Copa no vídeo, pois acho essa uma especulação sem qualquer fundamento. Há estudos que apontam quedas nos preços dos imóveis em países que sediaram a Copa após o término do evento, o que, para mim, não quer dizer nada – já ouviu dizer que rentabilidade passada não garante retorno no futuro?

Então, com desvalorização (ainda mais em outros países) é a mesma coisa.

Copa de lado, o que faltou dizer no vídeo é, que se não houver desvalorização dos imóveis (coisa que em muitos lugares já está ocorrendo) haverá uma estagnação de preços para a devida correção de mercado. E valores estagnados é a mesma coisa que perder dinheiro.

Que não há bolha no Brasil isso não há, pois como expliquei no vídeo, as condições aqui são muito diferentes e o crédito (número de endividados) ainda é muito tímido se comparado aos EUA.

Seja como for, dizer que os imóveis ainda são baratos no Brasil me parece, para dizer o mínimo, fantasioso. Pergunta: barato para quem?

Vou pegar um exemplo aqui do interior: um apartamento de 100 metros quadrados está sendo vendido sem qualquer armário, piso, etc, a um valor de R$ 700mil. Esse apartamento é destinado a classe B cuja renda varia entre R$ 7,5 mil a 9,5mil, segundo o “critério Brasil” do governo. Pois bem, o mercado diz (economistas e afins) que uma família não deve comprometer mais que 30% de sua renda com moradia. Mais importante, os bancos não fazem o financiamento se a parcela for maior que 30% da renda.

Vamos às contas?

Fiz uma simulação no site da Caixa Econômica do valor do imóvel que uma família (público alvo desse tipo de imóvel) com sua renda máxima que seria de R$ 9.745,00 poderia financiar. Veja o resultado:

Ou seja, uma família da classe média, que é para quem esse apartamento se destina, pode financiar um apartamento de no máximo R$ 320mil. Que, aqui na cidade de Campinas, em um bairro de classe média, não compra um apartamento de 50 mts.

Vamos ver outra simulação:

Vejam que para financiar o apartamento de 700mil, a primeira parcela seria de mais de R$ 6mil e a última de R$ 1500. O que dá uma parcela média de R$ 3800. Isso significa que a parcela média seria equivalente a quase 40% da renda familiar.E o pior, as primeiras parcelas seriam superiores a 50% da renda.Então, qual é a renda familiar para que o banco autorize o financiamento?

Isso mesmo amigo, VINTE E UM MIL REAIS MENSAIS! Agora lhe pergunto: quantas famílias de classe média você conhece que tem uma renda dessas?

Visto isso, você concorda com o senhor Ricardo Amorim que os imóveis no Brasil estão baratos? Pode ser que para ele sim. Mas e nós? Sem contar que, no final do financiamento você terá pago algo em torno de 1,6 milhão no apartamento.

Agora, o que vai acontecer eu não sei. O que está claro é que os preços estão além do alcance dos compradores e, quando isso acontece, a demanda naturalmente se retrai (e não porque as pessoas estão esperando o fim da Copa).

Mas, pode haver alta nos preços após a Copa? Claro! Como eu disse antes, para prever o futuro de uma economia, ainda mais f*dida como a nossa, nem Mestre Yoda. Mas que não há lógica para isso, não há.

Por isso, pense e se planeje. Se este é seu sonho, vá atrás dele. Se não é, alugue e seja muito feliz!

Um grande abraço e até a próxima!